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CLAUDIO VINICIUS
CERDEIRA

Ex-comentarista de arbitragem e ex-Árbitro
Por onde passou: TV Record e Sportv (ambas do Rio de
Janeiro)
1 – ONDE
ANDA VOCÊ?
Continuo
trabalhando na LIGHT mas no futebol só apitando, quando
convidado, uns poucos amistosos
festivos na Praia de Copacabana.
2 –
QUANDO INICIOU E QUANDO PAROU NA ARBITRAGEM?
Iniciei a
arbitragem no ano de 1982 e me despedi no ano 2000.
3 –
QUANTOS ANOS DE FERJ – CBF – FIFA?
Na FERJ, 18
anos; na CBF, 12 ANOS e na FIFA, 9 anos.
4 –
PARTIDAS(S) MAIS IMPORTANTES(S)?
-Argentina x
Uruguai (Eliminatórias da Copa do Mundo de 1998);
-Boca x
Penãrol (Semi-finais de Taça Libertadores);
-Criciúma x
Grêmio (Final da Copa do Brasil de 1991);
-Flamengo x
Fluminense (Final do Campeonato Carioca de 1991);
-Flamengo x
Vasco (Final do Campeonato Carioca de 1999);
-Seleção do
México x Ajax da Holanda (Amistoso)
5 -
ALGUMA SAIA JUSTA OU FATO QUE MEREÇA REGISTRO, QUE VOCÊ TENHA
PASSADO?
a) Agressão
(soco nas costelas) no interior do Estádio do Americano, quando
eu e o outro Assistente (João
Batista Byron) nos dirigíamos ao vestiário, para trabalhar no
jogo Americano x Joinvile, pela série C
do Campeonato Brasileiro de 1989. O Árbitro do jogo foi o baiano
Nei Andrade Nunes Maia, que já tinha
sido agredido pelos mesmos 8 marginais que agrediram a mim e ao
Byron. O jogo foi 0 x 0, o Americano
perdeu nas cobranças de pênaltis e a nossa saída do Estádio foi
tranqüila.
b) A única
vez que tive que sair em um veículo da PM, aconteceu no jogo
Vitória x Corinthians, no
Barradão . Durante o 2º tempo do jogo expulsei um atleta do
Vitória (tesoura voadora no adversário) e
marquei um pênalti claríssimo contra o mesmo clube que acabou
perdendo a partida. A torcida ficou tão
enlouquecida que sobrou até ofensas morais e tentativas de
agressão, para os comentaristas Arnaldo C.
Coelho e Casagrande.
c) Em
27/11/1984, dia em que eu fazia 30 anos, apitei um jogo decisivo
entre Oriente x Confiança, no
Estádio do Oriente, em Santa Cruz e, para minha surpresa, depois
do jogo, alguns dirigentes me
convidaram para comparecer a uma das dependências do clube
local. Meio desconfiado e bastante
preocupado, acabei me dirigindo a um salão, onde, para minha
surpresa, se encontravam
confraternizando, os dirigentes e os jogadores dos 2 clubes.
Minha surpresa aumentou e a emoção foi
ainda maior, quando todos eles cantaram o Parabéns pra você,
quer dizer, o parabéns para mim. Foi
uma passagem inesquecível, principalmente em se tratando do
Campeonato Amador da Capital (antigo
Departamento Autônomo) em que os jogos sempre foram verdadeiras
guerras.
4) Em 1994,
quando denunciei uma tentativa de manipulação de resultados nos
jogos do Campeonato Carioca,
fui contratado pela Federação Paulista. Nesse mesmo ano, após
dirigir um São Paulo 1x1
Palmeiras, pelo Campeonato Paulista, tive uma surpresa das mais
emocionantes quando o Técnico Telê
Santana, depois do jogo, entrou no meu vestiário, acompanhado de
boa parte da imprensa e do Técnico
Wanderlei Luxemburgo, e me fez uma grande homenagem. Através de
um belo discurso, enalteceu a
minha coragem e personalidade pelas denúncias que havia feito no
Rio que, para ele, serviram para
honrar as pessoas de bem que militavam no futebol. Foi um
momento de rara emoção para mim pois o
Telê era uma pessoa do mais alto caráter e um exemplo de
profissional.
5 – ANTES
DA ENTRADA EM CAMPO, TINHA ALGUMA SUPERSTIÇÃO OU RITUAL?
Eu rezava
muito para Nossa Senhora das Graças - que é a Santa do dia do
meu aniversário (27 de
novembro) -, e pedia para que meus erros não tivessem influência
no resultado do jogo.
6 – O QUE
MAIS SENTE SAUDADE DOS TEMPOS COMO ARBITRO ATUANTE?
Sinto
saudade dos grandes jogos em que participei com os estádios
lotados, mas lotados mesmo, com
mais de 100 mil pessoas. Hoje, com qualquer 50 mil, já acham que
o público é excelente.
7 – QUAL
A IMPORTÂNCIA DA FAMÍLIA DO ARBITRO DURANTE A CARREIRA E DEPOIS
DA PARADA?
A família é
importante antes, durante e depois da carreira do árbitro.
Eu sempre
disse, que o árbitro nunca pode colocar a arbitragem à frente de
duas coisas, sob pena de
não conseguir chegar à lugar algum. Essas duas coisas são; em 1º
lugar, a família e, depois, o seu
emprego. Sem essa base, dificilmente o árbitro alcança o sucesso
pleno.
8 – TEM
ACOMPANHADO A ARBITRAGEM DE UMA MANEIRA GERAL?
Acompanhava
mais, quando por 3 anos trabalhei como comentarista no Sportv e
Record mas continuo
interessado em observar os bons árbitros e os mais novos.
9 - O
QUE ACHA DO NÍVEL DA ARBITRAGEM BRASILEIRA ATUAL?
Penso que o
nível de nossa arbitragem poderia estar melhor pois os jogos
hoje em dia, estão muito mais
fáceis de se apitar, uma vez que os grandes clubes contam
atualmente com jogadores veteranos,
jogadores recém-saídos dos juniores e ainda jogadores oriundos
das 2ª e 3ª Divisões do futebol brasileiro.
A pressão dentro do campo é infinitamente menor agora, do que
foi a pouco tempo atrás.
10 - QUE
CONSELHOS DARIA AOS JOVENS INICIANTES NA ARBITRAGEM?
Um dos
conselhos está dado na resposta à pergunta de número 7, acima.
Um outro, é acreditar que as
pessoas honestas sempre terão uma oportunidade na arbitragem e,
por isso, nunca abra a guarda, para
ouvir conversa fiada de indivíduos sem caráter, que só estão no
futebol para tirar proveito próprio.
11 – PRA
QUEM VOCÊ TIRA O CHAPÉU NO FUTEBOL?
Para as
pessoas de bom caráter, tais como: o Telê Santana, Carlos
Alberto Parreira, Luiz Felipe Scolari,
Roberto Dinamite, Júnior e Zico.
12 – PRA
QUEM VOCÊ NÃO TIRA?
Wanderley
Luxemburgo
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